A nova edição da norma ABNT NBR 5419 está disponível: saiba quais são as principais alterações


Termotécnica Para-raios

Termotécnica Para-raios, líder nacional no setor de Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA). Desde 1974 com produtos e soluções, incluindo fabricação, revenda de equipamentos, cursos e treinamentos SPDA.

Guia prático das mudanças da ABNT NBR 5419:2026

A nova edição da série ABNT NBR 5419:2026 traz atualizações importantes para profissionais que atuam com proteção contra descargas atmosféricas no Brasil. A norma substitui integralmente a edição publicada em 2015 e apresenta ajustes conceituais, metodológicos e técnicos que impactam diretamente o projeto, a execução, a manutenção e a inspeção dos Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) e das Medidas de Proteção contra Surtos (MPS).

Neste guia prático, reunimos as principais mudanças introduzidas pela nova edição da norma e explicamos como elas podem influenciar a aplicação das medidas de proteção em edificações.

Neste artigo você vai entender:

  • O que mudou na ABNT NBR 5419:2026 em relação à edição de 2015?
  • Quais conceitos foram atualizados ou reformulados na estrutura da ABNT NBR 5419:2026?
  • Como a análise de risco foi atualizada e quais novos parâmetros passaram a ser considerados na ABNT NBR 5419:2026?
  • Quais alterações impactam diretamente o projeto de SPDA, incluindo materiais, condutores e aterramento na ABNT NBR 5419:2026?
  • Como ficaram os critérios para proteção de sistemas elétricos e eletrônicos internos na ABNT NBR 5419:2026?
  • Quais pontos da ABNT NBR 5419:2026 exigem maior atenção de projetistas e profissionais da área?

A seguir, apresentamos as principais mudanças organizadas de acordo com as quatro partes da norma.

Estrutura geral da norma

A ABNT NBR 5419:2026 mantém a mesma organização estrutural da edição anterior e continua dividida em quatro partes, que tratam dos diferentes aspectos da proteção contra descargas atmosféricas.

  • Parte 1: Princípios gerais
  • Parte 2: Análise de risco
  • Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida
  • Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos à estrutura

Embora essa estrutura tenha sido preservada, diversos trechos da norma foram revisados e reorganizados com o objetivo de tornar a aplicação do documento mais clara e consistente.

Parte 1: Ajustes conceituais e reorganização de definições

A Parte 1 reúne mudanças relacionadas principalmente à organização conceitual da norma. Uma das alterações mais visíveis está na forma como as definições são apresentadas. Os termos técnicos passam a ser reunidos em uma única lista em ordem alfabética, reproduzida em todas as partes da série normativa. Essa padronização facilita a consulta e contribui para reduzir ambiguidades de interpretação.

O escopo da norma também foi esclarecido. O texto passa a indicar explicitamente que os requisitos devem ser considerados não apenas em novos projetos, mas também em reformas ou alterações relevantes na estrutura, no uso da edificação ou nas instalações elétricas.

Outra mudança importante envolve os tipos de perdas considerados na avaliação da necessidade de proteção. As perdas anteriormente classificadas como L2, relacionadas à perda de serviço ao público, e L4, associadas à perda de valor econômico, deixam de integrar o corpo normativo desta Parte. Permanecem apenas as perdas L1, relacionadas à vida humana, e L3, associadas ao patrimônio cultural.

A nova edição também formaliza dois conceitos utilizados na avaliação da necessidade de proteção contra descargas atmosféricas: a análise de risco e a frequência de danos. A análise de risco permanece voltada à avaliação da necessidade de medidas de proteção para reduzir perdas relacionadas à vida humana e ao patrimônio cultural. Já a frequência de danos passa a ser utilizada como procedimento complementar para verificar se a ocorrência de falhas em sistemas permanece dentro de níveis considerados toleráveis.

Além disso, a norma passa a incluir informações adicionais sobre componentes do SPDA, com destaque para dados relacionados ao uso de aço cobreado. No caso dos dispositivos de proteção contra surtos, os requisitos técnicos passam a ser direcionados à série ABNT NBR IEC 61643, responsável pela padronização desses dispositivos.

Parte 2: Atualizações na análise de risco

A Parte 2 reúne algumas das alterações mais relevantes da revisão e apresenta ajustes metodológicos importantes.

O procedimento anteriormente denominado gerenciamento de risco passa a ser designado como análise de risco, mantendo lógica semelhante à utilizada na edição anterior. O processo continua sendo conduzido a partir da identificação das características da estrutura, da definição dos tipos de perdas relevantes e da avaliação dos riscos correspondentes.

De forma simplificada, o procedimento envolve as seguintes etapas:

  • Identificação das características da estrutura e de seu entorno
  • Definição das perdas aplicáveis
  • Cálculo dos riscos correspondentes
  • Comparação com os valores de risco tolerável estabelecidos pela norma

Uma novidade introduzida pela nova edição é a verificação da frequência de danos como procedimento complementar. Essa análise considera o número esperado de eventos prejudiciais provocados por descargas atmosféricas em sistemas eletroeletrônicos cujas falhas podem gerar interrupções de serviço ou perdas econômicas.

Outro aspecto importante atualizado nesta parte da norma é o parâmetro NG, que representa a densidade de descargas atmosféricas utilizada nos cálculos de risco. Os novos valores foram obtidos por meio de dados coletados por satélites e sensores, com melhorias no processamento das informações.

Como resultado dessa atualização, diversos municípios brasileiros passam a apresentar valores de referência mais elevados. A forma de apresentação desses dados também foi modificada: cada município passa a possuir um único valor de referência correspondente à maior densidade de descargas observada dentro de seus limites territoriais, o que pode ser verificado no Anexo  F desta Parte por meio de representação gráfica (Figura 1) ou tabela.

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Figura 1 – Densidade de descargas atmosféricas Ng – Mapa do Brasil (raios/km²/ano)

Parte 3: Mudanças relevantes em projetos de SPDA

A Parte 3 reúne diversas alterações que podem impactar diretamente o dimensionamento de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas.

Entre as mudanças conceituais mais relevantes está a substituição do termo classe de SPDA pelo conceito de nível de proteção (NP), utilizado para definir os requisitos para dimensionamento do sistema.

A norma também passa a incluir orientações adicionais relacionadas à proteção de pessoas e animais em áreas abertas, com referência à ABNT NBR 16785. Outro ponto reforçado é a utilização de dispositivos de proteção contra surtos Classe I como parte das medidas de proteção contra choques elétricos associados às descargas atmosféricas.

O texto revisado também destaca de forma mais clara a diferença de eficiência dos dois tipos de dispositivos de proteção contra surtos:

  • Dispositivos comutadores, como os DPS centelhadores
  • Dispositivos limitadores de tensão, como aqueles baseados em varistores

No cálculo da distância de segurança (s),a nova edição apresenta um equacionamento mais detalhado, embora a equação utilizada na edição anterior permaneça disponível como método simplificado e mais conservador.

Os métodos de posicionamento do subsistema de captação permanecem os mesmos:

  • Método da esfera rolante
  • Método das malhas
  • Método do ângulo de proteção

O texto passa a explicitar de forma mais clara que a determinação do volume de proteção considera apenas as dimensões físicas reais dos elementos captores. Essa condição reforça que sistemas não convencionais dimensionados com base em normas estrangeiras, como os captores do tipo Early Streamer Emission (ESE),permanecem fora dos métodos aceitos pela norma brasileira.

No subsistema de descida, passa a ser admitida a utilização de condutores com isolação específica (Figura 2) conforme a IEC 62561-8, o que permite manter a distância de segurança e reduzir o risco de centelhamentos perigosos.

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Figura 2 – Condutor DEHN HVI, com isolação em conformidade com a IEC TS 62561-8

Em relação ao subsistema de aterramento, as configurações principais permanecem semelhantes às da edição anterior, com a utilização de eletrodos naturais e eletrodos em anel. As hastes de aterramento continuam não sendo permitidas como único componente do sistema, podendo ser utilizadas apenas como complemento.

A nova redação também traz algumas atualizações importantes:

  • Passa a permitir a instalação interna do anel de aterramento em edificações geminadas
  • Elimina a possibilidade anteriormente prevista de interrupção parcial do anel quando instalado fora do solo

Outra mudança relevante está na atualização das tabelas relacionadas aos materiais e às seções mínimas dos condutores utilizados nos diferentes subsistemas do SPDA. Entre os ajustes estão a admissão de condutores de cobre no concreto e a proibição do uso de aço zincado a quente na transição entre o concreto e o solo.

Para os captores verticais maciços ou tubulares, como postes e mastros (Figura 3),passa a existir orientação formal para que seja realizado o dimensionamento mecânico capaz de suportar os esforços do vento, conforme a ABNT NBR 6123.

Figura 3 – Simulação dos efeitos dos ventos em poste autossuportado de 25m da Termotécnica Para-raios e Aterramentos.

Os condutores de aço cobreado passam a ter seções nominais equiparadas às dos condutores de cobre, com valores mínimos de 35 mm² para os subsistemas de captação e descida e de 50 mm² para o subsistema de aterramento. Passam a ser permitidos, no aterramento, cabos de cobre ou de aço cobreado com formação de 7 ou 19 fios.

A norma também reforça a necessidade de elaboração de um plano documentado de inspeção e manutenção do SPDA. Entre as situações que exigem verificação do sistema permanecem a suspeita de impacto de descarga atmosférica na estrutura ou a atuação de DPS Classe I na entrada da instalação. Nesses casos, a utilização de contadores de descargas atmosféricas (Figura 4) pode auxiliar na identificação dos eventos.

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Figura 4 – Contador de descargas atmosféricas TEL-599101

Parte 4: Ajustes na proteção de sistemas internos

Em comparação com as demais partes da norma, a Parte 4 apresenta alterações de menor magnitude. A maior parte das mudanças consiste em ajustes de redação, reorganização de conteúdo e atualização de referências normativas.

Algumas revisões envolvem ajustes nas seções transversais de componentes utilizados na equipotencialização e atualização das referências normativas relacionadas aos dispositivos de proteção contra surtos.

Os anexos concentram as modificações mais relevantes dessa parte da norma, trazendo reorganização de conteúdo e exemplos adicionais que facilitam a aplicação prática das medidas de proteção contra surtos, especialmente em estruturas existentes.

Considerações finais

A nova edição da ABNT NBR 5419:2026 introduz modificações que influenciam diretamente a forma como os Sistemas de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (SPDA) e as Medidas de Proteção contra Surtos (MPS) são projetados, executados, mantidos e inspecionados.

As mudanças abrangem desde ajustes conceituais e reorganização de definições até atualizações metodológicas relacionadas à análise de risco e à avaliação da frequência de danos. Diante dessas alterações, torna-se fundamental que engenheiros, projetistas e demais profissionais envolvidos com SPDA conheçam detalhadamente o conteúdo da norma atualizada, garantindo que decisões de engenharia sejam tomadas com base em critérios técnicos consistentes e alinhados às práticas mais recentes estabelecidas pelo documento normativo.

Para apoiar essa atualização, conte com o TELRISK, nosso software de análise de risco, desenvolvido conforme os novos parâmetros da norma, estruturado para facilitar a aplicação prática no dia a dia.

E, para aprofundar o entendimento e aplicar as mudanças com segurança, acesse nosso Curso de atualização gravado da NBR 5419:2026, com abordagem técnica e aplicada à realidade de projeto.

Conte com Suporte Técnico Especializado para auxiliar na interpretação da norma e na tomada de decisões, garantindo maior segurança e consistência nos seus projetos.

Gabriel Almeida – Atua como Analista de P&D e Instrutor de Cursos na Termotécnica Para-Raios. Mestre em Engenharia Elétrica pela UFMG. É autor de diversos artigos apresentados em congressos e publicados em revistas nacionais e internacionais. Integra a comissão que revisou a norma ABNT NBR 5419 e é membro do grupo técnico da ABRARAIO.


Termotécnica Para-raios, líder nacional no setor de Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA). Desde 1974 com produtos e soluções, incluindo fabricação, revenda de equipamentos, cursos e treinamentos SPDA.

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