Não existe solução milagrosa, evite os captores ESE!

TRANSCRIÇÃO PARA DEFICIENTES AUDITIVOS

Existem no mercado empresas que comercializam soluções milagrosas, que seriam capazes de antecipar ou até mesmo evitar a queda do raio, chamados Early Streamer Emission ou, de forma mais simplificada, ESE. Eu sou Nikolas Lemos e hoje vamos discutir sobre esse assunto, a fim de entender melhor porque não devemos utilizar essas soluções. Seja muito bem-vindo.

Sempre que executamos um projeto de SPDA é indispensável que ele siga as premissas da NBR 5419. Qualquer projeto executado em não conformidade com essa norma está indo contra o código de defesa do consumidor, seção IV, artigo 39, itens 4 e 8. Essa seção do CDC deixa claro que somente poderão ser comercializados produtos e serviços em acordo com as normas vigentes e expedidas por órgãos regulamentadores, como a ABNT. Na sua inexistência, poderá ser considerada outra normativa, desde que credenciada pelo Conmetro.

Portanto, a alegação de que esses captores milagrosos são aprovados por algumas normas internacionais não é válida, já que existe no Brasil um órgão responsável e competente para tal definição. E mesmo que não existisse, as principais e mais conceituadas normas estrangeiras, como a IEC e a IEEE, que provavelmente seriam as normas referenciadas pelo Conmetro, não aprovam esse tipo de solução.

O grande trunfo dos fornecedores desse tipo de produto é justamente o baixo custo para implantação do sistema. Mas será mesmo que essa redução de custos é tão significativa?

Em uma análise mais criteriosa, nota-se que a maioria desses sistemas é composto por um captor dito ionizante, e apenas um ou dois condutores de descida com, no máximo, três hastes de aterramento cravadas no solo. Mesmo que considerássemos que tais captores possuíssem a capacidade para ionizar a atmosfera e projetar líderes ascendentes, atraindo os raios para si, ainda assim seria necessário escoar toda a energia da descarga atmosférica para o solo, evitando acidentes em seu percurso.

Para a NBR 5419, os conceitos de segurança aplicados nas descidas, aterramento e ligações equipotenciais independem do método de captação adotado. Estes subsistemas são dimensionados de acordo com o nível de proteção do SPDA, calculado durante o gerenciamento de risco. Se o sistema possuir apenas uma ou duas descidas, como é feito nestas soluções ESE, toda a corrente da descarga atmosférica será conduzida apenas por esses caminhos. Essa ação fará com que a distância de segurança para esses condutores seja muito maior, já que a chance de um centelhamento perigoso é agravada pela alta corrente.

Outro grande problema seria a intensidade do campo eletromagnético. Com maiores correntes nos condutores, teremos um maior campo e, consequentemente, surtos induzidos de maior intensidade. Por isso, o número de descidas deveria sempre seguir as premissas da NBR 5419, mesmo se fizéssemos uso de captores ESE.

Esse sistema milagroso também não contempla as ligações equipotenciais, o chamado SPDA interno, que é extremamente importante para evitar que correntes circulem entre estruturas metálicas durante uma descarga atmosférica. Sem essas ligações, os ocupantes ficam expostos a riscos, como queimaduras e choques elétricos e os equipamentos eletroeletrônicos, ficam mais vulneráveis a danos. Portanto, as ligações equipotenciais internas e externas devem ser mantidas exatamente como a NBR 5419 descreve.

O mais grave dos problemas é visto no aterramento do tal captor milagroso. Esse sistema promete dissipar toda a energia do raio por meio de uma única haste ou, em alguns poucos casos, em um sistema de três hastes na forma de triângulo. Esse tipo de aterramento foi abolido da NBR 5419 em sua última revisão, pois não possui eficácia comprovada. O objetivo do eletrodo de aterramento na forma de anel ou embutido na fundação é justamente proteger os ocupantes da estrutura, dissipando a energia do raio para fora dos limites da edificação, sem causar tensões de passo que sejam perigosas. A instalação de apenas algumas hastes em locais específicos, pode causar danos físicos aos ocupantes e também às instalações elétricas, especialmente em terrenos muito resistivos.

Sendo assim, mesmo que o sistema ESE funcionasse conforme é prometido, sua única grande vantagem seria a utilização de um menor número de captores, já que todos os outros subsistemas não possuem seus conceitos normativos relacionados ao método de captação. Outros sistemas que prometem evitar a queda do raio em uma edificação são mais impressionantes ainda, já que as diversas características da física relacionadas à formação das descargas atmosféricas como carga das nuvens, campo elétrico, pressão barométrica, ventos e outros, estão completamente fora do nosso controle.

Sempre que tiver dúvidas sobre alguma solução de caráter duvidoso, procure especialistas, como a equipe técnica da Termotécnica Para-raios. Não deixe também de acompanhar o nosso canal TELCast, sempre tem uma dica nova como essa!

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