10 ohms no aterramento do SPDA, é ou não obrigatório?

TRANSCRIÇÃO PARA DEFICIENTES AUDITIVOS

Aposto que você já ouviu falar que a resistência de aterramento do SPDA não deve ser superior a 10 ohms, mas será que essa informação é válida de acordo com a norma vigente? Esse é o assunto do nosso PodCast de hoje, eu sou Nikolas Lemos e seja muito bem vindo.

O aterramento do SPDA ainda é um subsistema que gera muitas dúvidas em projetistas e instaladores. Não basta simplesmente cravar algumas hastes ligadas a um cabo de cobre nu e esperar que essa solução seja suficiente para dissipar toda a energia do raio no solo. É preciso uma solução efetiva, pois ela será submetida a milhares de Ampéres e Volts em um curto espaço de tempo. Os riscos de uma malha de aterramento mal projetada vão além da queima de equipamentos, podendo inclusive causar a morte dos ocupantes da instalação.

Por isso alguns parâmetros normativos são contundentes, como a necessidade do eletrodo de aterramento sob a forma de anel externo fechado ou o uso das ferragens estruturais da fundação, que inclusive é uma das práticas recomendadas pela NBR 5419-3:2015. Outros parâmetros, ao contrário do que ainda pensam parte dos projetistas e instaladores, não são mais compulsórios, como a exigência  do valor máximo de 10 ohms para a resistência de aterramento.

Mas calma! Não se assuste se você já ouviu essa exigência por parte de um instalador ou projetista.

Acontece que até a versão de 1977 da norma, essa era uma obrigação. Em 1993, passou a ser apenas uma recomendação e continuou sendo válida até a revisão de 2015 da norma, quando o comitê da ABNT optou por remover esse conceito, que gerou tanta dúvida e transtornos nas instalações do SPDA. A atual versão apenas ressalta, no item 5.4.1 da parte 3, que trata justamente dos conceitos gerais da malha de aterramento, que:

“Quando se tratar da dispersão da corrente da descarga atmosférica (comportamento em alta frequência) para a terra, o método mais importante de minimizar qualquer sobretensão potencialmente perigosa é estudar e aprimorar a geometria e as dimensões do subsistema de aterramento. Deve-se obter a menor resistência de aterramento possível, compatível com o arranjo do eletrodo, a topologia e a resistividade do solo no local.”

Em resumo, não somos mais obrigados a alcançar nenhum valor de resistência de aterramento, porém devemos sempre buscar o menor valor possível, atentando-nos também ao comprimento mínimo de eletrodo nos casos de edificações enquadradas nos níveis 1 e 2 do Gerenciamento de Risco, conforme a parte 2 da NBR-5419. Assim, fica claro que o mais importante para o aterramento do SPDA é justamente a sua configuração, que visa proteger seus ocupantes internos, dissipando a energia do raio para fora dos limites da edificação. Por isso, devemos sempre utilizar elementos normalizados, como as hastes de alta camada, e seguir as exigências da NBR 5419-3:2015.

Ok! Mas por que a norma do SPDA retirou essa exigência?

A justificativa do comitê para essa retirada foi que alguns projetistas e instaladores estavam considerando unicamente esse parâmetro para validar a qualidade de uma malha de aterramento do SPDA. Ou seja, mesmo um aterramento totalmente inadequado poderia ser considerado apto, caso o terreno fosse pouco resistivo, já que os valores de resistência da malha apareceriam como baixos. Além disso, medições inadequadas da resistência da malha poderiam apresentar valores falsos, mas que validariam toda a instalação. E por fim, se ao simular a malha de aterramento em programas de computador o projetista encontrasse o valor 10 ohms, ele definiria aquela configuração em projeto. Se após a instalação, durante o ensaio da malha, o instalador encontrasse valores de resistência superiores ao exigido, cairia sobre ele a responsabilidade de reduzi-la. O instalador, por sua vez, teria que colocar mais eletrodos de aterramento na malha ou partir para soluções químicas, muitas vezes agressivas ao meio ambiente e aos próprios componentes do sistema, tentando de qualquer forma reduzir a resistência encontrada.

Agora está bem mais claro que existem outros parâmetros a se avaliar, mais importantes que o valor de resistência de aterramento, que não devem ser ignorados. Se você deseja aprimorar mais seus conhecimentos sobre SPDA, especialmente em temas como o aterramento, recomendo que participe dos nossos cursos avançados! Fique ligado no nosso canal TelCast, toda semana um novo episódio com assuntos e dicas importantes sobre projetos e instalações de SPDA!

4 Comentarios em “10 ohms no aterramento do SPDA, é ou não obrigatório?

  1. Jose Celso Azeredo Terclavers says:

    Bom dia,
    Sou do interior de São Paulo, Pindamonhangaba.
    Essa semana resolvi distribuir um “mini banner” aos edifícios da cidade.
    Para surpresar tem mais que pensava.
    Também , notei que maioria faz divisa com calçada pública, normalmente em dois lados quando o imóvel é de esquina.
    O projetista (acho que não tem) e o executante utilizaram somente outros lados internos, portanto não existe anel
    perimetral. Como fazer num caso desse, distribuir as descidas calculadas nos lados internos?
    Vi situações em que não há anel inferior, e sim descidas aterradas individualmente por meio de 3 hastes.
    Acredito muito ainda no sistema Franklin. Obrigado pela atenção

    • Nikolas Lemos says:

      Jose Celso,

      Esse projeto precisa passar por uma adequação, a luz da NBR 5419:2015. Algumas coisas precisam ser acertadas:

      – As descidas devem estar posicionadas conforme distância definida pelo nível de proteção do projeto. O mínimo de descidas para um SPDA isolado são duas.
      – A malha de aterramento deve obrigatoriamente ser feita na forma de anel. O uso de apenas 3 hastes em cada descida não oferece segurança aos ocupantes internos.
      – As descidas instaladas em locais com possibilidade de aglomeração e permanência de pessoas devem respeitar as medidas descritas no item 8 da NBR 5419-3:2018.

  2. REINALDO LIMA DE OLIVEIRA says:

    EXCELENTE COMENTÁRIO, CONCORDO EM GENERO NUMERO E GRAU. Há quem usa atá sal grosso para manter a umidade local, principalmente na hora da aferição; o que posteriormente num futuro proximo irá danificar o eletrodo.

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