O que você deve saber sobre os tipos de perdas do Gerenciamento de Risco?

TRANSCRIÇÃO PARA DEFICIENTES AUDITIVOS

Você conhece o gerenciamento de risco? E as perdas consideradas em seu cálculo? Esse PodCast é focado exatamente nesse tema e nosso objetivo é dar algumas dicas para facilitar sua execução, eu sou Nikolas Lemos e seja muito bem-vindo.

Desde 2015, a necessidade de se utilizar um sistema de proteção contra descargas atmosféricas, deixou de seguir uma tabela que considera apenas o tipo de edificação, e passou a ser calculada com base em parâmetros definidos no gerenciamento de risco. Com isso, algumas edificações que antes eram obrigadas a ter SPDA, agora podem ser protegidas apenas por meio das MPS, como blindagens e dispositivos de proteção contra surtos ou sequer precisam de proteção, dada a baixa probabilidade de serem atingidas por uma descarga atmosférica.

O gerenciamento de risco, dentre outros fatores, leva em consideração os três tipos de danos que o raio pode causar em uma instalação, sendo eles:  os ferimentos que os choques elétricos provocam em uma pessoa, os danos físicos na estrutura e as falhas nos sistemas eletrônicos. Esses danos, por sua vez, podem causar 4 tipos de perdas, sendo elas:

  • a perda de vida humana, o que inclui também ferimentos permanentes;
  • a perda ao serviço público
  • a perda do patrimônio cultural e
  • a perda dos valores econômicos, como danos na estrutura, queima de equipamentos e paradas na produção.

É nesse ponto que entram o SPDA e as MPS no cálculo do gerenciamento de risco. Isso porque, levando-se em consideração outros fatores como duração e permanência de pessoas, finalidade da edificação, incidência de raios na região e etc, serão feitos ainda inúmeros cálculos. O objetivo é verificar se o risco calculado pode ser considerado tolerável com as perdas relacionadas. É fácil de entender. Por exemplo, imagine que você fez o cálculo de uma edificação, que atualmente não possui SPDA e/ou MPS, e encontrou valores de riscos incompatíveis com a perda de vida humana. Nessa situação, você terá que considerar um SPDA e/ou MPS, com um nível de proteção IV, e refazer os cálculos. Se os riscos ainda forem incompatíveis, você terá de subir o nível do SPDA e MPS e recalcular. Agora, se após o recálculo os valores encontrados forem toleráveis, a edificação estará protegida com o uso do sistema calculado. Bem simples.

Mas, se são 4 tipos de perdas, é preciso fazer esse cálculo para todas elas, para considerar que a edificação está protegida?

Não necessariamente! Com exceção do risco da perda de vida humana, que sempre deve ser calculado, independente da finalidade da edificação, as demais perdas podem ser descartadas, caso não sejam itens relevantes para a sociedade e cliente. Isso fica mais claro quando explicamos cada tipo de perda separadamente.

A primeira perda, conhecida por L1, é referente à vida humana e inclui ferimentos permanentes. É inadmissível que as pessoas possam se ferir ou vir a óbito dentro de uma edificação por causa de um dano causado por descarga atmosférica. Por isso, independente da aplicação ou finalidade, o gerenciamento de risco sempre deve apresentar riscos toleráveis para essa perda. Embora riscos toleráveis não signifiquem chance nula de ocorrer uma fatalidade ou acidente, eles representam altíssima segurança, com base em cálculos e estatísticas, para que os ocupantes dessas edificações estejam protegidos contra os danos, previstos pela normativa.

A segunda perda, conhecida por L2, é a perda de serviço público. Esta, está mais relacionada a serviços essenciais, como fornecimento de energia, água, esgoto, gás, telefonia e etc. No geral, são serviços que, se interrompidos, podem prejudicar uma parcela ou a sociedade como um todo. Para edificações residenciais, comerciais e até industriais, não é comum calcular esse item, podendo ser descartado, na maioria das vezes.

O terceiro tipo de perda é de patrimônio cultural, o L3. Como o próprio nome já diz, esse cálculo é voltado para a proteção das estruturas consideradas históricas. Alguns exemplos são o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, as igrejas de Ouro Preto e Mariana, enfim, todos os elementos tombados pelo patrimônio histórico cultural brasileiro, devem ser enquadrados nesse cálculo. Para novas edificações, por exemplo, esse é um cálculo irrelevante, já que são arquiteturas contemporâneas.

O quarto e último tipo de perda é de valores econômicos, o L4. Esse item, normalmente, fica a critério do cliente a adequação ou não. Isso porque seu risco tolerável significa a proteção de todos os circuitos e equipamentos contra os efeitos diretos e indiretos das descargas atmosféricas. Essa ação pode encarecer o projeto como um todo, mas especialmente em instalações com alto valor agregado, como siderúrgicas, fábricas de automóveis, mineração, usinas de energias renováveis e etc, o custo da hora parada somado à reposição de equipamentos é muito superior aos gastos com a proteção. Alguns clientes, porém, não possuem essa visão e cabe a nós, os bons projetistas, alertá-los sobre isso. É importante ressaltar que não se deve apenas levar em consideração o custo da instalação e sim o retorno a longo prazo do investimento.

De um modo geral, o gerenciamento de risco, embora esteja menos prático do que antes, está mais seguro e adequado para as particularidades de cada instalação, considerando os cálculos feitos corretamente. Em alguns casos ele também pode ser utilizado para amenizar os custos da instalação, já que apenas MPS podem ser suficientes para a proteção contra os riscos necessários. Sempre que for preciso utilizar DPS, opte por modelos da DEHN, que oferecem os menores riscos de falha do mercado e maior durabilidade.

Continue ligado em nosso canal TELCast para ouvir outras dicas como essa!

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