Como a distância de segurança interfere no SPDA?

TRANSCRIÇÃO PARA DEFICIENTES AUDITIVOS

No podcast de hoje, o assunto em foco é distância de segurança e como ela pode influenciar no SPDA, eu sou Nikolas Lemos e seja muito bem-vindo.

Imagine que você está fazendo um projeto de SPDA e precisa dimensionar a malha de captação sobre uma superfície com vários elementos instalados, como equipamentos de ar condicionado, chaminés e etc. Todos estes elementos devem ser avaliados, a fim de verificar se podem ser parte efetiva da captação ou não, já que a partir do momento em que são interligados aos condutores do SPDA, passam a estar disponíveis para distribuir correntes impulsivas de alta intensidade.

Se o elemento possuir dimensões mínimas permitidas pela NBR 5419, não penetrar a estrutura ou não estiver sendo alimentado por circuitos elétricos, normalmente, não existem riscos adicionais. Entretanto, se alguma destas condições não puder ser satisfeita, devemos afastar os condutores do SPDA destes elementos.

Mas afastar quanto? 30 cm, 70 cm, 1m?

A resposta para esta pergunta depende do ponto em que este distanciamento está sendo calculado. Quanto mais próximo ao solo, menor é a tensão gerada nos condutores quando há incidência de descargas atmosféricas. Quanto mais afastado do solo, maior será esta tensão e, consequentemente, a probabilidade de ocorrer um centelhamento entre o SPDA e outra estrutura que não possa ser equipotencializada.

A NBR 5419 determina então, que o distanciamento deverá ser sempre superior à distância de segurança calculada no ponto. As bases para calcular esta distância estão descritas no item 6.3 da NBR 5419-3:2015. No geral, são levados em consideração quatro parâmetros para este cálculo:

  • O comprimento do condutor, desde o ponto onde a distância de segurança deve ser considerada, até a equipotencialização mais próxima;
  • O nível de proteção escolhido no Gerenciamento de Risco do projeto, que é tabelado levando em consideração o valor máximo da corrente do raio esperada;
  • Um coeficiente baseado em qual material será o separador ou isolante principal entre o condutor do SPDA e a instalação;
  • E finalmente, mas não menos importante, o número de divisões ao qual a corrente do raio estará sujeita no trecho solicitado.

Existem softwares que auxiliam, imensamente, na definição destes valores, pois dependem também da configuração geométrica da distribuição das descidas. Fórmulas mais simplificadas sempre levam a resultados mais conservadores e, no pior dos casos, a maior distância de segurança possível poderá ser adotada para toda a instalação. Este valor então será a distância mínima para o qual devem ser afastados os condutores do SPDA, dos equipamentos e estruturas metálicas, para serem considerados isolados eletricamente do sistema.

Vamos supor que em seu projeto o valor calculado da distância de segurança seja 1m. Sendo assim, sempre que for possível, você irá manter a distância de 1m entre os condutores que compõem o SPDA e as massas metálicas da edificação. Assim, será evitado os centelhamentos entre eles. Do ponto de vista da proteção para os circuitos eletrônicos, essa é a melhor solução, já que com o afastamento, apenas as correntes induzidas pelo campo eletromagnético do raio, circularão por estes elementos. Estas, possuem menor intensidade e devem ser protegidas por meio de DPS tipo II.

Mas e quando não for possível afastar esses elementos e equipamentos dos condutores, na distância mínima calculada?

Esses casos devem ser evitados ao máximo. A preferência deve ser por mover os condutores até o limite máximo de distância permitido pela norma. Quando não restarem mais alternativas e o problema persistir, deverá ser feita a ligação equipotencial entre o condutor do SPDA e a estrutura metálica ou carcaça do equipamento. Assim, não vão ocorrer centelhamentos ou arcos elétricos entre eles, uma vez que seus potenciais elétricos subirão ao mesmo tempo e na mesma intensidade.

Entretanto, essa ação fará com que a corrente do raio seja conduzida por esses elementos metálicos, podendo causar danos severos aos circuitos caso não sejam adotadas Medidas de Proteção contra Surtos extras. Por isso, sempre que for preciso interligar um equipamento elétrico ao sistema do SPDA, deverá ser feita uma avaliação criteriosa sobre quais circuitos de energia e sinal precisarão de DPS do tipo I e onde serão instalados. Essa medida visa a proteção dos equipamentos contra as altas correntes do raio, que provocam choques e incêndios e, por consequência, danos às pessoas e estruturas. Esse inclusive foi um dos motivos para lançarmos os balizadores Tel 613 e Tel 614. Estes modelos seguem a boa prática de evitar que mastros de captação sejam utilizados também como suporte para os sinalizadores de topo.

Como regra geral, o ideal é sempre tentar adequar os elementos do SPDA de forma a fazê-lo o mais isolado possível das instalações elétricas e das massas metálicas. Quando não for possível, devemos realizar as equipotencializações diretas, no caso das massas metálicas, ou indiretas, com o uso do DPS, nas instalações elétricas, evitando maiores riscos à vida humana. Continue ligado em nosso canal TELCast para ouvir outras dicas como essa!

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